domingo, 23 de maio de 2010


Muitas vezes, releio Manuel Bandeira ansiando uma resposta a tantas perguntas. Se as faço a tantos anos, é porque não amadureci , afinal? Ou será que a vida minha , diferentemente da dele, ainda precisa de arrumar a casa, lavrar o campo , por a mesa. Às vezes, parece que tudo está fora do lugar...Mas não desejo a morte, necessito de vida, sempre...


                                              A n t o l o g i a
Manuel Bandeira


          A vida
          Não vale a pena e a dor de ser vivida
          Os corpos se entendem mas as almas não
          A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


          Vou-me embora p'ra Pasárgada!
          Aqui eu não sou feliz.
          Quero esquecer tudo:
          -A dor de ser homem...
          Este anseio infinito e vão
          De possuir o que me possui.


          Quero descansar
          Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei ...
          Na vida inteira que poderia ter sido e que não foi.


          Quero descansar.
          Morrer.
          Morrer de corpo e alma.
          Completamente.
          (Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.)


          Quando a Indesejada das gentes chegar
          Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
          A mesa posta,
          Com cada coisa em seu lugar.
( livro: Estrela da vida inteira, Editora Nova Fronteira)

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